Parecer - CFJL de 10/10/2019 por Marcos Azevedo Moreira (Projeto de Lei (Câmara) nº 28 de 2019)

Documento Acessório

Tipo

Parecer

Nome

CFJL

Data

10/10/2019

Autor

Marcos Azevedo Moreira

Ementa

Este projeto visa dar denominação à Rua 18, localizada no conjunto
habitacional Dr. Luiz Rennó Mendes, Santa Rita do Sapucaí/MG, que passa a
denominar-se "Rua José Procópio da Silva."
José Procópio da Silva nasceu no dia 25 de março de 1929, em Careaçu (à
época distrito de Santa Rita do Sapucaí, ainda com o nome de Volta Grande). Seus pais,
igualmente careaçuenses, chamavam-se Procópio da Silva Sobrinho e Rita Alzira de
Jesus. Era neto de uma portuguesa da região de Trás-os-Montes, Luiza Zeferina de
Jesus, e de três sul-mineiros. Órfão de mãe em meados da década de 1930, teve 11
irmãos, sendo dois do primeiro casamento de seu pai e nove do segundo, com Izolina
Martins da Silva.
Após a morte da mãe, passou a viver em condições precárias na casa do tio-avô
Procópio José da Silva, da qual foi retirado anos depois, assim que o pai voltou a ter
condições de criá-lo. Sua madrasta, natural de Conceição dos Ouros, o tratava como
verdadeiro filho. Enquanto os irmãos Jair e Jaime foram adotados, na prática, por
diferentes famílias santa-ritenses, José se integrou aos filhos de Procópio e Izolina, entre
os quais o cantor Orozimbo e a professora Maria Ermelinda.
Já na infância começou a trabalhar no açougue do pai, em Cachoeira de Minas,
onde Procópio foi subdelegado de polícia. Mais tarde, José tomou-se também boiadeiro,
tocando gado por estradas mineiras e paulistas em viagens que chegavam a durar
semanas. Seu principal destino era o município de Santa Isabel, que hoje faz parte da
Região Metropolitana de São Paulo. Entre urna jornada e outra, conheceu Hayde Mendes de Araújo, descendente de fundadores de Santa Rita, das famílias Ribas e
Vilela.
Casaram em Cachoeira no dia 23 de junho de 1951, quando a esposa adotou o
nome de Haydée Mendes da Silva. Dona de casa, na juventude ela foi professora
primária no bairro da Cachoeirinha. De lá se mudaram para a Rua Antônio Telles, no
final nos anos 1960. Retomaram para a zona rural pouco tempo depois, fixando-se
definitivamente na cidade nos primeiros anos da década seguinte. José teve açougues no
Mercado Municipal e em outros pontos comerciais, além de ensinar o oficio aos filhos
homens, que atuaram no ramo por décadas.
Diferentemente do pai, que militou no primitivo Movimento Democrático
Brasileiro e foi candidato a vereador duas vezes em Santa Rita, José Procópio nunca
participou de disputas políticas. Por influência de amigos, filiou-se ao antigo Partido
Democrático Social em 1982, fato praticamente desconhecido entre seus familiares, a
quem explicava, durante campanhas eleitorais, que preferia manter silêncio sobre suas
preferências por ser "amigo de todos".
Em 1999, seu filho Paulo Roberto, cantor e compositor sertanejo, o
homenageou com a canção "Filho de Boiadeiro", urna das faixas do CD que recebeu o
mesmo título. Paulo já havia proporcionado uma das maiores alegrias do pai ao se
apresentar no programa de caloiros de Silvio Santos na televisão, recebendo elogios de
jurados como Aracy de Almeida e José Fernandes. Outro grande orgulho foi o de
presenciar a colação de grau da filha Isaíra, bacharel em Letras pela atual Universidade
do Vale do Sapucaí.
José Procópio passou seus últimos anos intermediando negócios imobiliários e
pecuários. A vida urbana o vez trocar a montaria por bicicletas e Fuscas, mas ele jamais
perdeu o porte de boiadeiro e o hábito de usar chapéu. Sempre sorridente, boa conversa
e voz mansa, enfrentou com fé a doença que o acometeu em seus derradeiros meses, na
companhia da esposa e da maioria dos 14 filhos, em sua casa, na Rua Antônio Araújo.
Faleceu no dia 18 de março de 2016, uma semana antes de completar 87 anos.

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