Parecer - CFJL de 02/05/2022 por Eduardo Henrique Capistrano Cunha Junior (Projeto de Lei (Prefeitura) nº 12 de 2022)

Documento Acessório

Tipo

Parecer

Nome

CFJL

Data

02/05/2022

Autor

Eduardo Henrique Capistrano Cunha Junior

Ementa

Este projeto tem a finalidade de dar denominação à Creche Municipal Localizada no Bairro Beira Rio, em Santa Rita do Sapucaí/MG, que passará a se
denominar Creche Municipal Maria da Conceição Rennó Moreira. Maria da Conceição Rennó Moreira nasceu em Cachoeira de Minas em 1912, e faleceu em 13 de maio de 2009. Casada, mãe de duas filhas Wanda e Marilena, passou boa parte de sua vida no Rio de Janeiro e Campos do Jordão, acompanhando devotamente o marido. Deixou transparecer a fibra que a marcaria para sempre, pois teve a oportunidade de colocar em prática seus dons de caridade e amor ao próximo e aos mais necessitados. Desenvolveu, também, nesse período em que passou por estas cidades, seus dons como enfermeira voluntária em favor dos mais carentes e os trabalhos manuais realizados com capricho e dedicação originaram lindas roupas de bebê bordadas, entregues às crianças carentes da cidade em que residia, dando oportunidade para muitas crianças carentes de se vestirem tão bem quanto as crianças mais abastadas da região, por tão grande cuidado e capricho com que eram feitas. Retornando à fazenda em que nascera, começou com seus trabalhos sociais com os colonos e crianças pobres da região. Seus pais ficaram admirados com o conhecimento que recebera e seu trabalho na Fazenda Rennó foi até 1949, quando á em Santa Rita e contando com o apoio incondicional de seu esposo, Dona Conceição, como ficou mais conhecida na cidade, foi tomando parte em todos os movimentos sociais, fossem eles religiosos, educacionais ou recreativos. À frente da Obra de Assistência da Paróquia, sua missão era angariar donativos para compor cestas básicas para distribuir às famílias carentes. Padre José oferecia amparo espiritual e D. Conceição oferecia o conforto material, e com estes gestos e palavras de carinho levavam conforto e alegria a inúmeros lares santa ritenses. Para desenvolver tudo o que queria e angariar fundos para as suas obras, promovia vários eventos e com os recursos angariados conseguiu construir diversas casas populares nos bairros Maristela e Novo Horizonte que serviriam de moradias para famílias necessitadas, mediante
pequenos pagamentos mensais, quitados em até 10 anos, pois à época não existia nenhum tipo de financiamento ou facilidades promovidas pelo governo para a realização do sonho da casa própria. Com o vigor que D. Conceição realizava suas tarefas, logo foi comparada à sua prima Sinhá Moreira, que, trabalhando juntas, realizariam imensuráveis obras que mudariam os rumos de Santa Rita e mudaria a vida dos santa-ritenses.
Sempre presente na realização da maior obra de Sinhá Moreira, a Escola Técnica de Eletrônica, e com o auxílio dos Padres Jesuítas, D. Vaz e padre Raul, realizava campanhas para a compra de materiais e coordenava a recepção das autoridades que vinham conhecer o novo empreendimento da cidade.
Com a sua presença marcante na fundação da primeira escola de eletrônica da América Latina, logo seus serviços seriam novamente requisitados para a criação do novo sonho vislumbrado pelo município, o Inatel. Como sua vontade era grande demais em ver este projeto decolar e com o espírito público que sempre moveu sua vida, não mediu esforços para promover a viagem do Diretor do Inatel, Prof. Fredmarck Gonçalves Leão, a Paris para falar com o Embaixador Bilac Pinto para solucionar as dificuldades que tinham à época para a manutenção e desenvolvimento da obra, e Da. Conceição sempre foi uma parceira do Inatel. Participando ativamente do Clube Feminino da Amizade de Santa Rita do Sapucaí, tendo participado de vários Conselhos nas Fundações existentes em Santa Rita do Sapucaí, Da. Conceição com sua atuação empreendedora e importante para a educação de Santa Rita, logo teve, também, uma atuação decisiva na criação de outra grande instituição, a FAI. Com a sua alegria, a característica que sempre a impulsionara, lá estava ela incentivando a ida dos professores a Brasília, em busca dos reconhecimentos necessários do curso. então sua família mudou-se para a cidade de Santa Rita do Sapucaí definitivamente ornando-se referência na cidade com as suas inúmeras obras empreendidas,
logo foi trabalhar na grande obra de sua vida: a revitalização do Hospital Antônio Moreira da Costa. À época, não foi uma tarefa muito fácil. No período em que esteve como diretora do hospital, foi uma luta travada para equilibrar as contas. Para cortar gastos, muitos dos trabalhos eram realizados por ela, como bordar as roupas de cama de todo o hospital. A despensa, sempre tinha seu estoque reduzido, lá estava ela a pedir
ajuda nas fazendas e estabelecimentos comerciais, sempre encontrando no povo santaritense o auxílio necessário para servir refeições aos desvalidos. Assim eram os trabalhos realizados pela Da. Conceição, que ao ir embora percorria todo o hospital para verificar e apagar as luzes que estavam acesas sem necessidade. Com muita disciplina e organização conseguiu uma instituição sem dívidas nesse período e o
hospital vivia exclusivamente dos próprios recursos, pois, nesse período, a administração pública municipal não arcava com parte das despesas. Junto a essa instituição, sua primeira vitória foi integrá-la ao SUS, para que os menos desfavorecidos pudessem receber atendimento gratuito. Junto ao hospital, seu próximo trabalho foi construir a maternidade e o centro cirúrgico integrado à UTI. Um velho sonho do Dr. Elias Kallás foi conquistado, que foi a realização do primeiro transplante cardíaco em Santa Rita do Sapucaí, com a presença do renomado Dr. Zerbini.
Conquista esta para a cidade e uma alegria para Da. Conceição que permaneceu durante 10 anos à frente do Hospital, e o seu reconhecimento veio com o Centro Cirúrgico que leva o seu nome e que ficará gravada para sempre na história dessa casa de recuperação. Da. Conceição ainda tinha uma paixão que não escondia, que era o tradicional carnaval em Santa Rita do Sapucaí. E sua escolha foi pelo Democráticos. Décadas e décadas participando ativamente das decisões da agremiação, sua função variava entre passar noites bordando nas casas de costura, como também na tarefa de conseguir fundos para colocar seu bloco na rua. Com sua decisiva colaboração, as noites de fevereiro tornavam-se ainda mais lindas, com a certeza de que a vida também precisa ser feita de coisas belas, combustível necessário para que todos os anos um incrível desfile tomasse forma em frente à sua casa para descer o morro mais famoso da cidade. Com seu uniforme criado, especialmente, para acompanhar os espetáculos e as
noites inesquecíveis do Democráticos, ela mal conseguia disfarçar a alegria nos olhos por pura emoção. Com o passar dos anos e uma vida dedicada a fazer o bem, Da. Conceição começava a dar sinais de que sua energia não era mais a mesma. A vizinhança começou a vê-la cada vez menos, mas o distanciamento decorrente da idade avançada parecia cada vez mais evidente. E no dia mais festivo para a comunidade negra brasileira, 13 de maio de 2009, chegara o momento de seu descanso e dos santaritenses dizerem adeus a essa inesquecível cidadã, trabalhadora do bem, empreendedora social que fez da sociedade santari-tense urna sociedade mais fraterna e feliz. Em razão de sua história e de sua importância para este Município, nada mais justo que seu nome seja dado à Creche a ser construída no Bairro Beira Rio.

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