Parecer - CFJL de 14/06/2022 por Antônio Otávio Silvério da Cunha (Projeto de Decreto Legislativo nº 6 de 2022)

Documento Acessório

Tipo

Parecer

Nome

CFJL

Data

14/06/2022

Autor

Antônio Otávio Silvério da Cunha

Ementa

Este projeto visa conceder o título de cidadania honorária santa-ritense à Militante Feminista Lina Cristina Jehle de Araújo. A Militante Feminista Lina Cristina Jehle de Araújo nasceu em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em quatro de maio de 1964, filha de Francisco José Elifas Maia de Araujo e Helena Jehle de Araujo. Lina Cristina Jehle de Araujo mudou se para Santa Rita junto com seus dois irmãos, quando seu pai veio aprovado em concurso interno da Marinha cursar o curso técnico de eletrônica na Escola Técnica de Eletrônica Franciso Moreira da Costa, por meio de convênio entre as duas instituições, no ano de 1968. Vivia na Vila Dona Ana, onde também residia (e ainda reside) sua primeira professora no jardim de infância, a Tia Didi. Fez a primeira comunhão na Igreja provisória na Praça Min. Delfim Moreira Jr. (Praça da Katrin), celebrada pelo Padre Vaz. Mudou-se em 1972 para o Rio de Janeiro, onde continuou os estudos e começou seu processo de formação política e exercício da cidadania em plena ditadura militar, trabalhando de voluntária na Creche da Cruz Vermelha do Brasil, cuidando de crianças socialmente vulneráveis e refugiados. Frequentou o Movimento das Mulheres
do Brasil, que funcionava em parceria com o Movimento dos Desaparecidos Políticos.No Rio, foi às ruas pedir por eleições diretas e direitos políticos no movimento das Diretas Já!. Ainda na década de 80, participou ativamente da União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu futuro marido e pai de seus dois filhos. No começo do ano de 1989, seu pai se aposentou e retornou a Santa Rita para fixar residência junto à sua esposa e seu filho mais velho, motivados pelos confortáveis anos que viveram na cidade e as amizades que aqui fizeram. Foi aprovada no concurso da Caixa Econômica Federal em 1989, mesmo ano em que se casou na capela do Asilo em Santa Rita, cerimonia celebrada pelo Padre José. Em 1991, enquanto vivia em Campinas, nasceu seu primeiro filho, Pedro Jehle de Araujo Gouvêa, e, em 1993, seu segundo filho Hugo Jehle de Araujo Gouvêa, ambos nascidos em Ouro Fino, Minas Gerais, cidade dos avós paternos. Em 1995, a família se transfere para o Rio Grande do Sul por motivos de trabalho. Em 1999, se divorciou e voltou para perto da família em Santa Rita, transferida para a agência da Caixa Econômica Federal do município. Em 2000, devido ao desastre da enchente que devastou a cidade, conseguiu junto aos amigos da Caixa de outros municípios e estados, três caminhões de donativos para os atingidos pelo desastre: colchões, cobertores, roupas e mantimentos. Sua casa, hoje, entre as montanhas da cidade, é ponto de encontro para cafés,
almoços, jantares, rodas de violão e conversa onde a conjuntura política atual é sempre abordada e questionada e a cultura tem lugar privilegiado. Em meio à boa culinária, plantas, flores, frutas, galinhas, patos e pássaros — e a cachorra Catarina -, o lugar tornou-se também rico na fauna e flora das ideias progressistas que lutam por espaço no imaginário santa-ritense: a luta das mulheres, dos negros, dos artistas, dos jovens e das classes desprivilegiadas. Da horta para o fogão à lenha, Lina (para os amigos) ouCris (para seus pais), promove a alquimia que transforma receitas clássicas e modernas com o uso de agroecologia e plantas alimentícias não convencionais, sempre temperados com o pensamento crítico, pois, como diz o quadro em sua cozinha: cozinhar é um ato político.

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